Alan J. Pakula fez o melhor filme sobre investigação jornalística de todos os tempos. O é porque retrata, com precisão visceral, a apuração dos jornais sobre um fato irrelevante, espremido de fontes de tendenciosas e preenchido por ilações que gestam suposições. Estas, claro, para atender a determinado fim, a maioria das vezes, com intenção política.
São eventos que acontecem, cotidianamente, em todas as redações sérias do Planeta, desde os jornais de bairro ao “The New York Times”. No caso do Watergate, a repercussão se transformou em mantra do jornalismo contemporâneo, pois culminou na renúncia de um dos homens mais importantes do mundo.
O merecidamente premiado roteiro de Wiliam Goldman — baseado no próprio livro dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein — é a matéria prima na história que lacrou a carreira política de Nixon.
Mesmo assim, o filme de Pakula é tão simbólico, bonito e cheio de sentimentos, de todos os matizes, que a maior experiência profissional das vidas de Bob Woodward (Robert Redford) e Carl Bernstein (Dustin Hoffman) passa como um anexo para quem assiste a história eletrizante por 138 minutos interruptos.
A leitura estética e literária de Stephen King é louvável e já recebeu muitíssimas adaptações frente às câmeras de Hollywood. Mas, por uma brincadeira do destino, o mago das peças e histórias de horror recebeu suas melhores versões no cinema nas narrativas que não fazem alusão direta a assassinos, cemitérios fantasmas, bebês demoníacos ou seres metafísicos.
É verdade que há clássicos do terror moderno que saíram da caneta de King como, por exemplo, “O Iluminado”, eternizado pelo perfeccionismo latente de Stanley Kubrick; a também boa história em “Carrie, a Estranha”, um dos maiores sucessos de De Palma e que rendeu a indicação ao Oscar para a atriz Sissy Spacek — a protagonista que da vida à Carrie, a menina menosprezada do colégio com exóticos poderes paranormais; e, ainda, “Louca Obsessão”, uma bem elaborada trama de King sobre um ator famoso que, depois de sofrer um acidente de carro, é cuidado por uma fã maléfica e psicótica. Entretanto, mesmo os filmes sendo bons, as melhores adaptações das obras de Stephen King estão no gênero drama, como “Conta Comigo” e, principalmente, “Um Sonho de Liberdade”. Lançado em 1994, — que tem o nome original de The Shawshank Redemption — é uma versão do conto escrito por Stephen King, em 1982, chamado Rita Hayworth and the Shawshank Redemption.
A revolução cultural do Irã proporcionada pelo o regime do aiatolá Khomeini trouxe, junto com mudanças sociais e econômicas que perduram até hoje, um novo cinema que projetou este país islâmico no campo das artes visuais internacionais. O movimento foi semelhante ao que aconteceu no Terceiro Mundo e, em boa medida, no Brasil e em toda América Latina, no final da década de 1960 e no início dos anos 1970.
O emblemático e muito derivativo cinema de Glauber Rocha, Ruy Guerra, Nelson Pereira dos Santos teve ressonância e antropofagia em movimentos estéticos bem consolidados como o neorrealismo italiano, que já ganhara vitalidade artística e social com Rossellini – especialmente com seu emblemático “Roma, Cidade Aberta” – e Frederico Fellini com a exposição, à época, das entranhas da sociedade fascista italiana.
Com as mudanças culturais e políticas fruto da Revolução de 1979, abre-se a possibilidade teórica para que o cinema iraniano se erga sob nomes como Abbas Kiarostami, Jafar Panahi e Mohsen Makhmalbaf que, mesmo formados no cinema tradicional, possuem elementos “comuns” ao cinema neorealista de Portugal e especialmente a transgressão social, moral e estética, de enredo, montagem não linear e o amoralismo criado no ocidente por diretores como Truffaut, Godard, Rivette e Rohmer.
A indústria do cinema recicla clássicos do passado desde a década de 1920. Em regra, o original sempre supera a cópia. Mas, há exceção. E são boas exceções. Nas remontagens maiores que a própria obra de inspiração há lembranças como a famosa versão de "Ben-Hur", de 1959, que levou a histórica marca de 11 Oscars. Ele foi erguido a partir de uma versão de 1925, de Fred Niblo, que é quase desconhecia e igualmente decepcionante.
Há menções favoráveis a “Os Infiltrados”, o responsável pelo único Oscar de Martin Scorsese. O americano refaz a leitura de “Conflitos Internos”, filme feito em Hong Kong em 2002. Na película de Scorsese, a história do policial que se disfarça de bandido e o bandido que vai para dentro do departamento se passa na Nova Iorque contemporânea.
Há, porém, vertentes completamente dispares, como “Scarface, a vergonha de uma nação”, de Howard Hawks, de 1932, e a da década de 1980, versão frenética de Brian de Palma. Enquanto o primeiro — que inclusive conta como co-roteirista o famoso magnata do petróleo e da aviação, Howard Hughes — é assentado na superação pessoal e na perversão como pano de fundo do roteiro, o segundo trata do drama moral de um homem suburbano que sobe na carreira e que é tragado por ela.
Crises são iguais em todos os regimes econômicos. E os sentimentos humanos são semelhantes em toda diáspora terrena. Seja na truculência absurda dos soviets mostrada no Camboja em “Gritos do Silêncio” — filme do diretor Joffé na década de 1980, retratando as mazelas do socialismo na Ásia — ou em “As Vinhas da Ira”, momento em que o bom cineasta John Ford usa suas câmeras, em 1940, para pinçar com maestria o drama dos agricultores do Oklahoma que perdem seu meio de subsistência durante o crash de 1929. Díspares na origem, porém, iguais na finalidade.
Vê-se claramente que em todas as fatídicas rupturas históricas, o massacre humano é terminantemente agonizante independente do matiz ideológico. “As Vinhas da Ira” tem sua importância fílmica por destacar um período devastador para os Estados Unidos e as engrenagens do capitalismo. Período que, estranhamente, foi pouco retratado pelo cinema, mas que é abrangentemente explorado por mídias como o teatro, a literatura e a fotografia. Não se sabe certamente se o hiato foi causado por razões técnicas ou políticas, mas é fato inconteste que os americanos pouco retrataram nas grandes telas seu maior vale social e econômico. Excetuando a cadeia de filmes em estilo noir da década de 1930 que interlaçam o crash com a criação do fenômeno marginal típico de Chicago, o tema praticamente não está presente na vasta corrente de cineastas que tomaram a América como lar nas décadas posteriores à quebradeira econômica.