enviado por Demóstenes Torres 07.04.2012 / 14:04
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O governo apresentou nesta terça-feira mais um saco de bondades, com o slogan de “não abandonar a indústria brasileira”. O pacote é menos que o esperado, principalmente para quem sobrevive acossado pela concorrência nos próprios Brics.

A tática de tratar o essencial aos espasmos pode dar certo em outras áreas, mas na planta das fábricas é necessário respeitar o calendário anual. O empresário tem despesas a quitar em todos os 365 dias do ano e o funcionário depende do equilíbrio do mercado para garantir a carteira assinada.

A engrenagem é praticamente a mesma desde a revolução fabril, com o agravante de o sistema não se resumir mais a um embate entre trabalho e capital.

A era dos slogans de cartilha ficou no passado pré-computador. Estamos no século do empreendedorismo, em que qualquer pessoa deve receber a oportunidade de investir em seu talento para crescer.

enviado por Demóstenes Torres 28.03.2012 / 17:03
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Publicado originalmente no Blog do Noblat.

A enxurrada de gráficos divulgados por especialistas, a grita do empresariado e a sacola de bondades distribuída pelo governo poderiam ter feito da desindustrialização o centro dos debates no País. Não foi o que ocorreu.

Os últimos informes mostram que quem mais sofre é sempre o pequeno, apesar de os grandes conviverem com o mesmo Custo Brasil.

As empresas de menor porte na área da construção, por exemplo, marcaram 46 pontos, abaixo da linha divisória usual de 50, com queda consecutiva de produtividade pelo oitavo mês.

Houve o acerto oficial na decisão de prolongar e ampliar a redução do IPI. Agora, por mais três meses, além dos eletrodomésticos, produtos como móveis, laminados e luminárias contarão com o desconto.

Uma queda de R$ 489 milhões nos cofres públicos, fôlego para indústria e emprego para o trabalhador. O que a medida abriga de correta, na mesma proporção tem de tímida.

A desoneração vira troco se comparada com os custos da falta de investimento em infraestrutura. Segundo comunicado da Fiesp, a omissão do estado gera um custo de R$ 17,1 bilhões por ano para compensar as deficiências em áreas como logística e transporte.

enviado por Equipe 24.03.2012 / 12:03
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Edival Lourenço Jr.

Fazendo um exercício de “futurologia”, tento avaliar qual será o “modelo capitalista” que irá prevalecer e ser admirado por outros países nas próximas décadas. De um lado o já maturado Capitalismo Democrático Americano como o seu “american way of life” pregando o consumo pelo consumo, no qual o ato máximo da felicidade do ser humano está em usar descomedidamente o cartão de crédito dentro do shopping; do outro lado, o modelo Chinês, com o Capitalismo de Estado e o seu “enriquecer é glorioso” pregando um crescimento a qualquer custo.

É interessante refletir que essa discussão seria absolutamente impensável há 30 anos por dois motivos: o primeiro é que eu nem estava vivo e o segundo é que 30 anos atrás a China ocupava a décima primeira posição entre as maiores economias do mundo, com um PIB de 200 milhões de dólares. Hoje, a China já tem um PIB que ultrapassa os 7 trilhões de dólares, posicionando o país como a segunda maior economia do mundo e prestes a se tornar a primeira. 

enviado por Demóstenes Torres 21.03.2012 / 17:03
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O pibinho de 2011 (crescimento de 2,7%) saiu inversamente proporcional às promessas para socorrer a indústria, que praticamente estagnou, com leve alta de apenas 1,6%. Pesquisa da MB Associados divulgada na última semana colocou no papel o que os investidores já sabiam: é mais fácil produzir nos Estados Unidos que no Brasil.

Antes que apareça alguém para dizer que não se compara terceiro com primeiro, rebata-se com algo do nosso mundo: um dia de serviço no Catar rende o mesmo que semana e meia úteis no Brasil.

Preferindo encurtar distâncias, fiquemos do lado de cá: no mesmo levantamento, da americana The Conference Board, estamos em 15º entre os 17 países da América Latina no quesito produtividade, atrás de “potências” como o Peru e rendendo quase a metade da Argentina.

A culpa é da política cambial e do enorme custo da mastodôntica máquina pública. O saneamento fiscal implantado em razão da crise de 2008 diminuiu os gastos das empresas americanas. Nos últimos cinco anos, o custo do trabalho no Brasil cresceu 46% e, nos EUA, 3,6%.

enviado por Demóstenes Torres 15.03.2012 / 10:03
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Na semana em que a China anunciou a compra de 300 mil jegues nossos, a Fiesp pediu a políticos: "Salvem a indústria brasileira". A notícia tem tudo a ver com o lamento.

A desidratação do setor foi a principal responsável pelo baixo crescimento do PIB em 2011, meros 2,7%, quase 1/3 do ano anterior. A participação resumiu-se a pequena alta de 1,6%, nada comparado a 2010, quando foi responsável por 10,4%.

Numa época em que o setor de transformação regrediu meio século, até do outro lado do mundo já se vê que, a permanecer como se arrasta, não demora muito para a atração da balança comercial ser a venda de quadrúpedes.

A estagnação da indústria está diretamente associada à política monetária. A aposta na expansão do crédito de consumo aqueceu a economia na crise de 2008, mas resultou numa população afogada em carnês.

Pesquisa da LCA Consultores no ano passado mostra que as dívidas atingem 40% dos salários e dos benefícios da Previdência Social, mais de R$ 650 bilhões. Caso as prestações fossem cobradas hoje, cada brasileiro teria que trabalhar 4,8 meses para quitar os débitos. Somando os outros 4,9 meses de suor destinados aos impostos, restam 70 dias para adquirir comida e fomentar a indústria.

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