O Irã é conhecido como uma área de eterno conflito no Oriente Médio. Assim como o seu modo de vida quase imutável, a sua cozinha segue o mesmo padrão.
Com uma técnica que descende do Império Persa, a cozinha iraniana é uma das mais ricas do mundo. E é erroneamente comparada a comida árabe e libanesa.
Entre as receitas, destaque para a sopa de lentilhas cor-de-rosa, a baklava (massa de rosas com amêndoas e pistache), o abgusht (ossobuco de cordeiro com especiarias), o tadig (crostata de arroz feita no vapor) e sopa de romãs.
A culinária iraniana ou persa utiliza em suas receitas um dos temperos mais caros do mundo: o açafrão. Sem patriotada: o nosso, bem baratinho e que dá o amarelo que seu prato precisa, é apenas uma raiz xará.
A relação dos aiatolás e liderados/vítimas com a comida é pautada também pela ausência dela. No Ramadã, há uma adesão unânime à prática do jejum. Durante esse período, eles vivenciam essa condição preceituada no Alcorão.
Sou uma advogada que consome muitos livros, a maioria de... Acertou quem pensou gastronomia e assuntos afins. Se eu lesse livros de direito com tanta voracidade como os de pasta e fagioli seria uma sumidade no mundo jurídico.
O livro “Sangue, Ossos e Manteiga” é uma autobiografia da americana Gabrielle Hamilton que se formou em letras e fez mestrado em escrita de ficção. Assim como eu, Gabrielle tinha na gastronomia uma paixão e não apenas um hobby.
O título traduz três fases distintas e marcantes de sua vida. A infância foi abortada aos 11 anos, quando viu seus pais se separarem e sua vida ruir.
O “Sangue” é ilustrado nas dificuldades que passou, tendo ido do interior para a cidade de Nova York com uma “mão na frente e outra atrás”, aos doze anos, desprovida de dinheiro, de esperança e de qualquer apoio de seus pais.
Começou lavando pratos. Aos treze foi garçonete num bar próximo a Central Station, dizendo já ter dezesseis anos. Envolveu-se com drogas, entrou num esquema de furto e quase foi presa. Depois de muita maconha, cocaína, namoradas e vários empregos, juntou uma grana e foi para a faculdade.
Especialistas se dividem na escolha dos melhores restaurantes do planeta, os mais talentosos chefs, os pratos mais deliciosos. No entanto, alguns ingredientes são como a impressão digital, exclusivos, individuais, acima da avaliação dos grandes experts. Não existe tempero como o desejo — quando se quer comer uma massa em determinado lugar, ela é a top do mundo. Outra mistura única é a oportunidade. E a fome, que torna qualquer x-salada uma iguaria de Bocuse. Por mais exigente que você se considere, veja se viveu alguma história parecida com a minha.
Estudei em um colégio de freiras, um modelo de ensino. Escola pública de altíssimo nível. Trata-se do Colégio Jales Machado, na goiana Goianésia, minha cidade natal. Cursei ali o ginásio (hoje segunda fase do ensino fundamental) e o científico (hoje ensino médio).
As freiras eram as adoráveis Escravas do Divino Coração, uma congregação da espanhola Granada. Éramos abençoadas. Tínhamos, além de esportes, teatro e eventos festivos. Para completar, dispúnhamos de um quadro de professores dificilmente visto nas escolas públicas de hoje.
Eu era desde então ansiosa e inquieta, desfrutava tudo que o colégio oferecia. Algumas freiras participavam de atividades na Igreja Matriz da cidade. As missas das 9 da manhã eram as das crianças. Assim, vivenciávamos nas aulas de ensino religioso reflexões e músicas como as da Campanha da Fraternidade, realizada todos os anos pela CNBB.
A cozinha peruana é riquíssima e nos remete ao mediterrâneo. Mediterrâneo? Eis um ponto pacífico. Estive em Lima há três anos e fiquei impressionada com a profusão de cassinos e de ingredientes frescos da cozinha, principalmente frutos do mar.
Não estava ali como pequena sereia procurando Nemo, mas tive uma revelação tão crível quanto fantasia de desenho animado: se algo veio do alto e levou a civilização, deixou em troca uma gastronomia do outro mundo. Um exemplo foi quando experimentei o merlim, um peixe delicioso da costa do Pacífico. Encontrei-me com o sabor de outros tantos frutos do mar exclusivos daquelas águas geladas.
A publicação inglesa "Restaurateur" elege todos os anos os melhores restaurantes da América do Sul. Enquanto Brasil, Chile e Argentina tiveram um representante, naquele ano, o Peru emplacou três restaurantes com comida excepcional.
“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas.
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...”
(O Tempo, Mario Quintana)
Fim de ano. Chega o inevitável momento de se fazer um balanço de tudo o que aconteceu. Mario Quintana versejou nossa total falta de sintonia com o tempo. Como os quintanares, 2011 foi para mim um ano sui generis. A minha vida inteira coube nesse ano. Me formei, recebi a carteira da OAB, me casei, comecei a escrever, plantei duas árvores. É tradição de família fazer da biografia uma passagem – longa, mas completa em cada naco.
Meu avô de 90 anos vem contrariando Quintana. Vive intensamente o seu tempo. Até hoje sobe em sua casa para trocar telha quebrada. Por enquanto, é o mais próximo que quer ficar do céu. O tempo não passou por ele. Ele passou pelo tempo. Continua amando, sorrindo e chorando. Tem aquele olhar melancólico dos velhinhos, mas sem dúvida tem alegria e vontade de romper os 100 anos. Deseja ultrapassar o século como Niemeyer (produtivo, não comunista).
Todos se preparam para a virada do ano, cada qual com sua simpatia. Pular ondas, comer certos alimentos, vestir roupas que evocam paz, amor e principalmente dinheiro. Agora, não adianta nada disso se não tiver fé, acreditar e agir. É inútil pedir paz ou prosperidade sem arregaçar as mangas, lutar e fazer a parte que lhe cabe deste latifúndio de oportunidades. Ou então será um daqueles cantados Raul Seixas, “com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”. Que ela não chegue em 2012. Já é um presente do tamanho de um ano. E, para quem sabe e consegue aproveitar, é um prato cheio. Cinco vezes ao dia. Com muitos temperos, aromas, sabores, vida.