Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em 27 de outubro de 1892. É considerado um dos maiores escritores brasileiros e um dos principais representantes do neorrealismo. Os livros “São Bernardo” (1932), “Caetés” (1933), “Vidas Secas” (1938) e “Memórias do Cárcere” (1953), são apontados como obras-primas. Graciliano Ramos morreu em 20 de março de 1953, vítima de um câncer do pulmão.

Auto-retrato
Nasceu em 1892, em Quebrangulo, Alagoas.
Casado duas vezes, tem sete filhos.
Altura 1,75.
Sapato n.º 41.
Colarinho n.º 39.
Prefere não andar.
Não gosta de vizinhos.
Detesta rádio, telefone e campainhas.
Tem horror às pessoas que falam alto.
Usa óculos. Meio calvo.
Não tem preferência por nenhuma comida.
Não gosta de frutas nem de doces.
Indiferente à música.
Sua leitura predileta: a Bíblia.
Escreveu "Caetés" com 34 anos de idade.
Não dá preferência a nenhum dos seus livros publicados.
Gosta de beber aguardente.
É ateu. Indiferente à Academia.
Odeia a burguesia. Adora crianças.
Romancistas brasileiros que mais lhe agradam: Manoel Antônio de Almeida, Machado de Assis, Jorge Amado, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz.
Antônio Frederico de Castro Alves foi um dos maiores poetas brasileiros. Nasceu em 14 de março de 1847 na fazenda Cabaceiras, próxima à vila de Curralinho, hoje cidade de Castro Alves, Bahia, e morreu 6 de julho de 1871, em Salvador, vitimado pela tuberculose, aos 24 anos. Ficou conhecido como o poeta dos escravos e da liberdade, por suas feições abolicionistas e republicanas. Sua poesia, uma transição entre o Romantismo e o Parnasianismo, foi fortemente influenciada pela literatura social do poeta francês Victor Hugo. Suas principais obras são: “Espumas Flutuantes”, “A Cachoeira de Paulo Afonso”, “Os Escravos” e o drama “Gonzaga ou a Revolução de Minas”. É de sua autoria o célebre poema “O Navio Negreiro”, um dos mais representativos e conhecidos poemas da história da literatura brasileira.
Quem é o poeta Castro Alves?
Sou um homem que escreve e declama seus poemas. Por amor, por compulsão e por herança. Um poeta brasileiro nascido em 14 de março de 1847 lá na fazenda Cabaceiras, sete léguas distante de Curralinho. Um baiano do sertão. Meus pais foram o doutor Antônio José Alves e dona Clélia Brasília da Silva Castro, que também nasceu em um 14 de março. A família mudou para Salvador quando eu tinha sete anos de idade. Aqui completei o curso primário e fiz o ginasial. Aos 15, em 1862, eu e meu irmão José Antônio fomos morar no Recife para fazer o Curso Anexo, um ano de aulas preparatórias que habilitavam às provas da Faculdade de Direito, onde fiz o 1º e o 2º ano. Lá, ainda em 62, pela primeira vez tive um poema publicado pela imprensa, “A destruição de Jerusalém”, no “Jornal do Recife”. No ano seguinte saiu no nº 1 de um jornal acadêmico, chamado “A Primavera”, o meu primeiro poema contra a escravidão: “A canção do africano”. Em 68, fui para São Paulo continuar meus estudos jurídicos. Completei apenas o 3º ano, sem bacharelar-me por conta de problemas relacionados à saúde. Mas as publicações se sucederam, tanto no Recife como em Salvador, no Rio de Janeiro e São Paulo. Alguns desses versos, junto com muitos inéditos, hoje fazem parte do meu livro “Espumas Flutuantes”, primeiro e único até agora, e que foi lançado em outubro do ano passado, aqui mesmo na Bahia, para onde voltei no final de 69.
Oswald não sorriu, mas ficou satisfeito. Ergueu-se um pouco na cadeira da qual se levantava com dores e problemas. Talvez quisesse provar-se que ainda lhe restavam energia e agressividade. O que o plano exigia, para pegar, era um Oswald irônico, destruidor e com muito recheio, igual ao dos primeiros retratos. Balançou a cabeça, aprovando. A oportunidade de escrever mais um livro, sem muito esforço, entusiasmava-o. Bastaria respondendo às perguntas. Em sua portátil, eu funcionaria como repórter e secretário. Mas logo a princípio, tornou-se evidente que a longa reportagem não poderia obedecer a um esquema rígido. Nada de ordem cronológica. Oswald não lembrava mais datas e nomes. Às perguntas mais complexas, ficava mudo ou mandava as crianças se calarem. Como andava nervoso e quase sem nenhuma capacidade de concentração! E esperava ansiosamente por telefonemas de seu filho mais velho. Problemas de dinheiro, com toda certeza. Falei do plano com mais detalhes: três entrevistas por semana, no período da manhã. Duas horas no máximo. Se se sentisse indisposto, não precisaria responder nada. Um projeto de livro sob medida para um homem que ia morrer. Dias antes eu fizera uma longa com Oswald, publicada no suplemento literário do jornal “O Tempo”. Essa e mais outra, que apareceu simultaneamente no jornal “Quincas Borba”, foram as últimas que concederia. Mas ele queria falar mais. Podia, ainda, mas era necessário que lhe arrancassem as palavras. Sua esposa Maria Antonieta D'Alckmin, sempre ao lado, naqueles dias, ajudaria a fazer as perguntas e ainda mais a formular as respostas. Era a sua memória, além de tudo. Muita coisa que Oswald contou ou respondeu, nada tinha de inédito. Já estava em outras entrevistas e também no “Um homem sem profissão”, sua autobiografia inacabada.
José Carlos Guimarães
Em “O Leitor Fingido”, Flávio Carneiro sugere: “um dos princípios da arte de não ler, penso eu, é saber de antemão que você jamais conseguirá ler tudo.” Para os aficionados em literatura não é fácil admitir que o escritor está certo, não porque tenham a ilusão do contrário, mas porque gostariam de ter... Mas, tudo? Na verdade, não: leitores exigentes — aqueles que apreciam as qualidades estéticas de uma obra e só se interessam pelo que ela acrescenta de sabedoria autêntica às nossas vidas — não querem ler tudo o que os editores oferecem. Todo o tempo de que dispõem, normalmente escasso, para os livros, não seria jamais sacrificado com textos de autoajuda e best-sellers de segunda e terceira categorias, refugo para o consumo das massas. Mas “tudo” é tanto que inclui muitos livros e autores dignos de serem lidos que, contra nossa vontade, apesar dos pesares, passarão em branco, ou melhor: passaremos em branco diante da sua oferta tantalizadora.
Eu sinceramente não sei, por exemplo, se algum dia vou ler V. S. Naipaul ou Salman Rushdie, mas sei que são grandes escritores do nosso tempo. Apenas não constam de minhas prioridades, ainda, e pode ser que os postergue para sempre: se não lê-los, ficará a certeza de que perdi algo de autêntico valor literário.
Eu lastimo as coisas que gostaria de ler e não consigo. Frequento menos do que gostaria as livrarias, bibliotecas e sebos, mas quando vou até um desses lugares invade-me um misto de felicidade e frustração. Um dos primeiros contos que ensaiei, e que se perdeu, tratava da vertigem do conhecimento, cujo melhor símbolo é a biblioteca, não importa se real ou virtual. O personagem entra naquele repositório do infinito e tem a dimensão exata de sua capacidade diante do que a humanidade já produziu de conhecimento: uma quantidade ironicamente sobre-humana. Ele, o personagem, imagina, tenta imaginar, quantos livros a mais são publicados a cada dia e, angustiado, resolve sair dali. Está certo de que morrerá sem ter a satisfação de deslindar páginas e mais páginas de rara beleza, sem contar as de teor puramente científico, filosófico. Resigna-se. Não se pode ler tudo o que se gostaria, infelizmente.
“Atenção, mulheres, está demonstrado pela ciência: chorar é golpe baixo. As lágrimas femininas liberam substâncias, descobriram os cientistas, que abaixam na hora o nível de testosterona do homem que estiver por perto, deixando o sujeito menos agressivo.
Os cientistas queriam ter certeza de que isso acontece em função de alguma molécula liberada — e não, digamos, pela cara de sofrimento feminina, com sua reputação de derrubar até o mais insensível dos durões. Por isso, evitaram que os homens pudessem ver as mulheres chorando. Os cientistas molharam pequenos pedaços de papel em lágrimas de mulher e deixaram que fossem cheirados pelos homens.
O contato com as lágrimas fez a concentração da testosterona deles cair quase 15%, em certo sentido deixando-os menos machões.” (Publicado no caderno Ciência, em 7 de Janeiro de 2011).
Ele vivia furioso com a mulher. Por, achava ele, boas razões. Ela era relaxada com a casa, deixava faltar comida na geladeira, não cuidava bem das crianças, gastava demais. Cada vez, porém, que queria repreendê-la por uma dessas coisas, ela começava a chorar. E aí, pronto: ele simplesmente perdia o ânimo, derretia. Acabava desistindo da briga, o que o deixava furioso: afinal, se ele não chamasse a mulher à razão, quem o faria? Mais que isso, não entendia o seu próprio comportamento. Considerava-se um cara durão, detestava gente chorona.